Rio -  O roubo, pelo Congresso, dos royalties dos produtores de petróleo uniu ontem políticos com interesses aparentemente inconciliáveis. Eles passaram por cima da prematura e acirrada disputa pela sucessão de 2014 para se juntarem na luta contra a falência do estado. Foi esta a tônica da abertura do 3º Encontro de Prefeitos e Prefeitas, promovido pela Associação Estadual de Municípios do Rio de Janeiro (Aemerj) em parceria com O DIA.
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Um mesmo discurso uniu o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, candidato do PMDB em 2014; a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, mulher do deputado e também candidato Anthony Garotinho, do PR; a vários políticos do PT do senador Lindbergh Farias, como o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.
Pezão se destacou entre os participantes, na maioria políticos, arrancando aplausos da plateia de 60 prefeitos, 16 vice-prefeitos e cerca de 400 participantes, que lotaram o auditório do Hotel Blue Tree, em Búzios, ao falar do quanto a medida do Congresso é injusta com o futuro das cidades e dos prefeitos recém-eleitos.
“O Rio deve muito aos nossos três senadores e 46 deputados. Sem a luta deles, já estaríamos liquidados”, disse Pezão.
Ele classificou o roubo dos royalties como “uma violência maior do que a da ditadura militar, que fez a fusão à força dos estados da Guanabara e do Rio, sem criar as condições”.
Presidenta da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Rosinha definiu o movimento contra o assalto aos royalties como “uma luta suprapartidária e sem palanque”. Ela participou da mesa de abertura até o encerramento.
O encontro elegeu por aclamação a nova diretoria da Amaerj e marcou uma mudança no perfil da associação, que era mais interiorana e agora terá como presidente um prefeito da Baixada, Max Lemos (PMDB), de Queimados. Outros cardeais políticos da Baixada estiveram no evento, que termina hoje, como Alexandre Cardoso (PSB), de Caxias, e Dennis Dauttmam (PCd0B), de Belford Roxo. Os dois passaram a integrar a Associação, que já foi presidida pelo vice-governador.
O editor-chefe do DIA, Aziz Filho, reiterou o engajamento do jornal na defesa do Rio. Muitas vezes, segundo ele, a imprensa se vê entre a busca da imparcialidade e a justiça. “O DIA não é imparcial nessa briga. Nós temos um lado, que é o da defesa dos direitos, do equilíbrio federativo e da decência política. Mergulhamos de cabeça em defesa do Rio”, declarou o jornalista.
Nova lei dos royalties já sai hoje no D.O.

A presidenta Dilma Rousseff promulgou a nova lei dos royalties na noite de ontem, quando recebeu o projeto enviado pelo Congresso, onde 142 vetos presidenciais ao texto foram derrubados. Dilma tinha até segunda-feira para promulgar a lei, que já será publicada hoje do Diário Oficial da União.
Enquanto isso, em Campos, uma multidão vai erguer hoje milhares de cópias da Constituição para manifestar sua esperança de que o STF faça valer a Carta Magna e declare inconstitucional a nova lei dos royalties. Rosinha Garotinho mandou fazer 30 mil cópias da capa da Carta para o ‘Ato em defesa dos royalties e da Constituição’.
Todos contra Eduardo Campos
Além da defesa do Rio contra a nova lei dos royalties, os prefeitos foram unânimes em rejeitar a proposta de acordo para evitar que o Supremo Tribunal Federal (STF) avalie a ação de inconstitucionalidade que será impetrada pelos estados produtores de petróleo contra a nova lei. O grande vilão do evento foi o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que liderou a proposta de um acordo para manter a distribuição antiga dos royalties nos contratos já firmados, deixando a pulverização dos recursos apenas para os futuros projetos do pré-sal.
“O governador de Pernambuco foi o grande incendiário e agora quer apagar o fogo com a água alheia. O acordo tinha que ser feito antes desse estupro à Constituição”, atacou o presidente da Alerj, Paulo Melo, dando a senha para uma série de discursos com críticas a Campos. Melo arrancou aplausos com um discurso pontuado por episódios de injustiças do Congresso contra os estados que têm petróleo.
“Essa história do acordo é um deboche ”, resumiu o presidente da Aemerj, Vicente Guedes.
Reportagem de Mônica Rodrigues
É importantíssimo esta parte do petróleo vim para o rio, ou para outra parte dos estados em pauta, o que é triste é saber que isto não vai resolver em nada a miséria nestes estados, as pessoas ainda continuaram sofrendo enquanto estas verbas vão para o bolso dos chefes, até hoje nada mudou para quem realmente precisa, hospitais precários  escolas sucateadas, saúde em péssimas condições, traficantes em todos os lados.
Aí o governo diz que  está investindo em saúde( upa), se houvesse intenção de melhorar as condições do povo, não precisava criar estas fontes de dinheiro que não funciona, se for contar com percentual de reclamações, gostaríamos só de dar uma dica, o dinheirão que se gasta com upa que até ar condicionado é alugado, por que não reforma estes grandes hospitais que já foram referencia internacional, A CRISE  na educação é constante, isto porque não há investimento, e muito mais, por isso que confirmamos não há investimento no Rio, mas sim, "enganamento" .
Isto sem falar em relação ao maracanã, que a cara de pau do governo, diz estar investindo, mas para os empresários.