Rio -  Chocalhos e cânticos não foram capazes de abafar o som de bombas e tiros. Nem o diálogo foi suficiente para evitar agressões e violência na desocupação da Aldeia Maracanã, antigo Museu do Índio, na Zona Norte.

Na manhã desta sexta-feira, o entorno do "Palco do Futebol" virou campo de batalha entre manifestantes, índios e policiais do Batalhão de Choque da PM.

Uma funcionária da Escola Municipal Friedenreich prevê: “Somos o próximo alvo”. Professores da instituição, que também fica no entorno do Maracanã e será desocupada e transferida para outro terreno, fizeram questão de acompanhar a ação da polícia.
Policiais lançaram bombas e sprays de pimenta contra manifestantes | Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
Policiais lançaram bombas e sprays de pimenta contra manifestantes | Foto: Alessandro Costa /Agência O Dia
“Estamos com medo porque agora sabemos que somos o próximo alvo. Conseguimos ficar no imóvel até o fim do ano, mas ainda estamos incertos sobre nosso destino”, disse a professora Andrea Filardi.

Segundo ela, os índios sempre foram parceiros da instituição de ensino em projetos educacionais. “Sempre estiveram com a gente. Iam à escola para fazer atividades com as crianças. Assim como nos apoiaram, estamos aqui para apoiá-los”, garantiu.

No fim, a desocupação do prédio foi marcada por acusações de arbitrariedades da PM contra indígenas, populares, jornalistas e até mesmo autoridades. A PM classificou parte da resistência como “teatro”. Sete pessoas foram encaminhadas à delegacia, e depois liberadas.

negociação para a saída pacífica dos índios, prevista em decisão judicial, foi iniciada ainda de madrugada, logo após a chegada de tropa do BPChoque, que cercou a área.
Atingido por spray de pimenta lançado por policiais, índio coça os olhos, ajudado por uma das ativistas | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Atingido por spray de pimenta lançado por policiais, índio coça os olhos, ajudado por uma das ativistas | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
No início da manhã, o clima ficou tenso quando policiais agrediram e prenderam o advogado dos índios, Arão da Providência. Ele tentava entrar na Aldeia para conversar com lideranças.

“Pisaram na minha cara, rasgaram minha camisa e machucaram meus punhos”, protestou Arão, que foi liberado com ferimentos no rosto.

Mas o pior ainda estava por vir. Quando boa parte dos índios e ativistas já deixava o imóvel, o sucesso do diálogo deu lugar à intolerância. Após um ritual de despedida na Aldeia, que culminou com o incêndio de uma oca, um grupo foi retirado à força do espaço pela PM, com lançamento de bombas de efeito moral, sprays de pimenta e gás lacrimogêneo.

“Pedimos 10 minutos, mas a PM se precipitou e entrou. A ordem partiu do coronel Freire (Hugo, comandante do Comando de Operações Especiais), que estava lá dentro”, contou o defensor público da União, Daniel Macedo.

A atitude inflamou manifestantes, que fecharam a Radial Oeste e também foram reprimidos com violência. Por pelo menos 20 minutos, a nuvem de fumaça tomou a rua.

Um fotógrafo foi ferido por estilhaços de bomba na perna e uma jornalista ficou intoxicada. O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) e Daniel Macedo foram atingidos por jatos de pimenta.

Confusão entre PMs e manifestantes no Museu do Índio

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Polícia invade Aldeia Maracanã e retira indígenas. Gás de pimenta e bombas são usadas para dispersar multidão e manifestantes são detidos

Confusão na Alerj

À tarde, houve tumulto em frente à Alerj. Cerca de 100 pessoas tomaram a Rua Primeiro de Março. A via foi bloqueada duas vezes. Manifestantes usaram cocos para impedir o avanço dos carros.

A tropa de Choque voltou a usar spray de pimenta e gás lacrimogêneo. Cinco pessoas ficaram feridas, e dois manifestantes foram detidos. “É muito abuso de poder dos policiais. Já estávamos dispersando, e eles resolveram nos acatar”, disse Fabrício Silva.

Máscaras de PET para suportar spray de pimenta

Enquanto as negociações eram feitas no portão da Aldeia Maracanã, no canteiro central da Radial Oeste, estudantes e membros de movimentos sociais protestavam.

Integrante da família Gracie, Flor, 17 anos, era uma das professoras de defesa pessoal que desde fevereiro davam aula para os índios, caso houvesse algum combate com a polícia. “Eles não vão agredir ninguém, nem sabem. Só tinham que se defender”, disse.

Para tentar suportar o spray de pimenta, manifestantes improvisaram máscaras semelhantes às de militantes na Grécia, feitas com garrafas PET e filtros de café. A fundadora do Femen Brasil, Sara Winter, fez topless e foi detida.

Deputado vai processar PM

Indignados, Marcelo Freixo e Daniel Macedo, junto da Defensoria Pública Estadual, vão entrar com representações no Ministério Público para identificar o real mandante da invasão à Aldeia. Eles querem também mover ações por abuso de autoridade contra os PMs e exigir acomodações dignas para os índios.

“Vou conversar com as defensorias e com o MP e vamos agir contra a PM. O que eles fizeram foi inaceitável. Levei spray na cara. Tudo estava sendo da forma como o governo queria. Isso é uma banalização da violência irresponsável”, disse o deputado Marcelo Freixo. E completou: “A ordem judicial estava sendo cumprida. O problema foi lá dentro”.Veja o vídeo da ação da PM

Onde é que vamos parar, se a política deste governo é de interesses pessoais e as autoridades competentes não se manifestam, a assembleia legislativa do rio é toda omissa, já que a maioria e aliada a este partido (PMDB), isto tudo nos fortalece o pensamento de que o povo só serve para eleger estes carinhas, e sem direito de cobrar aquilo que é prometido, já que o governo tem o poder ditador de decidir todas as coisas que lhe interessa, neste episódio desta reportagem do jornal o dia, está bem claro, que a democracia neste estado não existe mais, só quando é de interesses deles.
"O povo merece o melhor desta terra" Reage povo, mas sem violência, com cautela, pois o que eles procura irão achar, o povo unido jamais será vencido.