quinta-feira, 10 de maio de 2012


Batalhão da PM em São Gonçalo: a pedra no sapato da cúpula da segurança pública do Rio

RIO - A prisão de três policiais militares lotados no 7º BPM (São Gonçalo) suspeitos de assassinato, foi apenas mais um escândalo envolvendo a unidade. Responsável pelo policiamento num dos maiores municípios do estado, o batalhão de São Gonçalo tem sido uma pedra no sapato da cúpula da segurança pública. Há pelo cinco anos os registros de desvios de conduta dos policiais militares lotados ali parecem não ter limite. Investigações dos ministérios público estadual e federal, da Polícia Federal e agora da Polícia Civil identificaram crimes como associação ao tráfico, assassinatos, extorsão e formação de quadrilha praticados pelos PMs.
Só no ano passado, dois coronéis que comandavam à unidade acabaram presos, entre eles o então comandante tenente-coronel Djalma José Beltrami Teixeira, que assumiu o batalhão em setembro de 2011, depois das denúncias da participação do então comandante do 7º BPM, o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira na morte da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros, próximo à sua residência, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói. Oliveira está preso em presídio de segurança máxima federal. Há 11 acusados de envolvimento no assassinato da juíza Patrícia Acioli. Eles irão ser julgados em juri popular.
O assassinato da juíza, segundo a denúncia do Ministério Público, teria sido articulado por Oliveira, então comandante do 7º BPM, e pelo tenente Daniel Santos Benitez Lopez. O crime teria sido praticado em represália às investigações feita pela juíza contra os PMs, suspeitos executarem bandidos e simularem autos de resistência. Os dois oficiais foram transferidos em dezembro de 2011 para o presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Já Beltrami foi preso em dezembro, durante a operação Dezembro Negro. Na ocasião, a Delegacia de Homicídios de Niterói, que comandou a ação, informou que havia 11 mandados de prisão contra traficantes e 13 contra policiais militares do batalhão. PMs e traficantes haviam se associado. Ao todo, 11 PMs foram presos. O batalhão de São Gonçalo, segundo investigações do Ministério Público estadual e da juíza Patrícia Acioli, tinha policiais acusados de formar grupos de extermínio com atuação no município.
Também no ano passado, a Polícia Federal identificou um grupo de policiais do 7º BPM - que acabou desarticulado e preso durante a Operação Alvará - atuando na proteção da máfia dos caça-níqueis, formada por bicheiros, há pelo menos três anos. Sete acabaram presos e denunciados à Justiça Federal. PMs e contraventores de São Gonçalo são suspeitos ainda de ameaçarem Patrícia Acioli. Eles também estariam por trás de ameaças contra um juiz federal de Niterói.
O batalhão da PM de São Gonçalo tem um pouco mais de 500 militares lotados para policiar um município de um milhão de habitantes. E a violência tem crescido: em março deste ano, segundo estatística do Instituto de Segurança Pública (ISP), foram registrados 31 homicídios contra 20 no mesmo mês do ano passado. Já os roubos de carros dispararam na cidade: pularam de 89 em março do ano passado para 167 registros este ano.

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